Quando duas pessoas se gostam, o corpo fala... e muito. Um olhar mais demorado, um sorriso discreto ou até a forma de se posicionar podem revelar interesse, tensão sexual e atração.
Segundo o antropólogo David Givens, autor do livro “Love Signals: A Practical Field Guide to the Body Language of Courtship”, “apesar dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento que os humanos vivenciaram no último século, quando falamos dos sinais silenciosos da atração física não somos diferentes das demais espécies do reino animal. Desde as origens da vida, os animais sempre utilizaram certos sinais para comunicar interesse pelo sexo oposto”.
E o ambiente de trabalho é um terreno fértil para que isso aconteça. Passamos muitas horas juntos, dividimos espaço e convivemos diariamente - é natural que a química apareça. O Departamento de Sociologia da Universidade de Stanford aponta que 11% dos casais nos Estados Unidos se conheceram no trabalho.
Já um relatório do Infojobs revela que 14% dos trabalhadores espanhóis têm ou já tiveram um relacionamento com alguém do ambiente profissional no último ano. Diante disso, quais são os sinais mais comuns de que existe atração entre colegas de trabalho? Veja os 18 principais:
Vocês se olham com frequência - às vezes até sem perceber. E quando os olhares se cruzam, surge aquele micro sorriso quase involuntário. Olhares prolongados indicam desejo de conexão e interesse.
Segundo o Dr. Ronald E. Riggio, professor de Liderança e Psicologia Organizacional no Claremont McKenna College, “embora sorriamos com frequência ao interagir com pessoas de quem gostamos, quando nos sentimos sexualmente atraídos por alguém, a taxa de sorrisos tende a aumentar”.
O conceito de distância proxêmica foi estabelecido em 1968 pelo antropólogo Edward Hall. Ele concluiu que nos relacionamos com base em diferentes distâncias: pública, social, pessoal e íntima.
Quando existe atração, as pessoas costumam permanecer na zona íntima (entre 15 e 45 centímetros) ou na distância pessoal (entre 50 centímetros e um metro).
Um toque sutil no braço, um encostar “sem querer” nas pernas ao sentar, a mão nas costas ao caminhar juntos. Pequenos contatos físicos — mesmo os aparentemente acidentais - são frequentes quando há interesse.
Estudos indicam que quando uma pessoa reduz o tom de voz ao falar com alguém, pode estar demonstrando atração. A voz mais baixa pode sugerir tentativa de aproximação.
Levantar discretamente as sobrancelhas e abrir mais os olhos ao ouvir alguém é sinal de interesse e atenção. É uma expressão comum quando estamos diante de alguém que nos atrai.
Segundo Givens, homens tendem a realizar mais comportamentos de autocuidado quando estão perto de alguém que gostam - ajeitar a gravata, passar a mão na barba, arrumar o cabelo. Já mulheres costumam tocar mais os próprios cabelos na presença de alguém que as atrai.
Rir juntos aproxima. As brincadeiras podem funcionar como ponte para a conexão emocional - como aconteceu com Pam e Jim, em “The Office”. Quando há atração, o humor vira estratégia de aproximação.
O chamado “efeito espelho”, teoria associada ao psicanalista francês Jacques Lacan, sugere que tendemos a gostar de pessoas semelhantes a nós.
Vocês passam a compartilhar gostos “coincidentemente”: gostam do mesmo filme, preferem a mesma bebida, têm opiniões parecidas. Pode parecer apenas empatia - mas também pode indicar atração.
“Ele é incrível”, “Ela é uma profissional nota dez”, “Adoro trabalhar com ele”. Quando os elogios se tornam frequentes, pode ser mais do que reconhecimento profissional. Quando estamos na fase de atração, tendemos a amplificar as qualidades da pessoa.
O rubor facial é uma resposta fisiológica involuntária que ocorre quando o ritmo cardíaco acelera. Pode ser vergonha - mas também pode ser atração.
Sempre surge uma desculpa para prolongar o tempo juntos: um happy hour depois do expediente, adiantar tarefas mesmo após o horário. Quando gostamos de alguém, queremos estender o momento.
De acordo com a Dra. Lilian Glass, especialista em comunicação e análise comportamental, o corpo não mente - a menos que sejamos treinados para isso.
Joe Navarro, ex-agente do FBI e especialista em linguagem corporal, afirma que podemos fingir um sorriso por convenção social, mas os movimentos dos pés não mentem. Mexer os pés com frequência pode indicar nervosismo - e atração.
A dilatação das pupilas (midríase) é uma resposta fisiológica natural para adaptar a visão à luz. No entanto, também pode ocorrer quando estamos diante de alguém que nos atrai - o que é popularmente chamado de “olhar do amor”.
Como destacou o jornal El País, “ainda que nos esforcemos para não expressar nossas emoções, as pupilas revelam parte do que sentimos ou do esforço mental que realizamos”.
Inclinar levemente a cabeça enquanto escuta alguém demonstra atenção total e interesse genuíno.
Uma postura clássica de flerte. Ficar em pé com as mãos na cintura pode indicar interesse.
Atração e ansiedade costumam caminhar juntas. Segundo a especialista em psicologia evolutiva Susan M. Hughes, as reações fisiológicas são semelhantes quando sentimos atração, e esse nervosismo funciona como mecanismo informativo para que a outra pessoa perceba o interesse.
Segundo a CNN, nossos eixos de atenção se concentram em três áreas: peito, pés e rosto. “Se um homem ou mulher tem os três eixos de atenção alinhados aos eixos da pessoa de seu interesse, então está dedicando toda sua atenção e energia”.
Por fim, a sexóloga e psicóloga María Esclapez, autora de “Me quiero, te quiero”, lembra que atração é um processo fisiológico. Sentir amor por uma pessoa e atração por outra é possível, já que “as partes do cérebro responsáveis por processar amor e atração são diferentes”.
Ou seja: sentir atração por um colega de trabalho não significa, necessariamente, estar apaixonado.